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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Jucielen Cerqueira é convocada para a seleção brasileira de Boxe

Após sagrar-se campeã brasileira juvenil em 2014 e vice-campeã brasileira adulta este ano, a boxeadora rio clarense Jucielen Cerqueira foi convocada para a seleção nacional esta semana. Jucielen já se encontra treinando junto à equipe olímpica nacional no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira, que fica em Santo Amaro, zona sul da capital paulista.
A convocação de Jucielen veio após muitos anos de dedicação ao esporte. Descoberta pelo professor Marcos Macedo em um projeto de inclusão social no bairro Jardim Guanabara, Juci tinha apenas 11 anos quando começou a praticar boxe. Quando tinha 14 anos o ritmo dos treinamentos se intensificaram e Juci passou a competir nas categorias de base, sempre conquistando bons resultados. Seu ápice foi entre ano passado e este ano, quando participou de campeonatos brasileiros e foi medalha de ouro e de prata. Com seu bom desempenho, os técnicos da seleção resolveram convocá-la para que ela seja testada e preparada para representar o Brasil em competições internacionais.
A grande vantagem de estar na seleção é, além do treinamento de alto nível, a oportunidade de defender o país em competições no exterior, tais como sulamericanos, panamericanos, mundiais e até Olimpíadas. 
Os técnicos da equipe MM Boxe ficaram muito felizes com a convocação, mas garantem que não foi nenhuma surpresa. "Não ficamos surpresos porque sabíamos da qualidade da Jucielen, que com tão pouca idade, 19 anos, já é muito experiente e uma das melhores atletas na sua categoria. Por isso sabíamos que a convocação viria cedo ou tarde", diz Breno Macedo, técnico da equipe. "Trabalhar com formação de atletas é trabalhar a longo prazo. Foram oito anos até que ela estivesse pronta e o reconhecimento viesse. Isso nos deixa feliz e prova que estamos no caminho certo", completa.
Macedo destaca ainda a importância do suporte da Secretaria Municipal de Esportes, que embora tenha deixado de apoiar a atleta há mais de um ano, contribuiu para sua formação durante alguns períodos. Sem o apoio da SEME de Rio Claro, Jucielen competirá o Jogos Abertos defendendo Piracicaba em competição que acontece em dezembro. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Uma visita indesejada

Para comemorar os 10 anos de academia MM Boxe vamos relembrar alguns "causos" do Boxe, histórias que vivenciamos nessa empreitada que foram importantes para o amadurecimento da equipe.

O grande professor Marcos Macedo sempre disse: "Cuidado, a porta da academia é aberta para rua. Sempre estejam preparados para qualquer coisa". Macedo é de uma época onde era comum pessoas que trabalhavam com artes marciais e lutas de contato "invadirem" academias para testar os professores. Era uma forma de desmascarar aventureiros que por ventura se auto intitulavam professores. Breno e Leonardo achavam que isso já não era mais uma prática comum, mas sempre ouviam o velho pai e sempre se mantinham de prontidão.
Em meados de 2005, em um treino na MM Boxe numa manhã de sábado, Breno e Marcos foram surpreendidos por uma visita de um técnico e um atleta de outra cidade da região de Rio Claro. O atleta, no auge dos seus vinte poucos anos, em plena forma física, estava querendo aperfeiçoar suas técnicas de mão, já que ele vinha da modalidade de kickboxing e queria aprimorar seu Boxe.
O técnico visitante conversou com o líder da MM Boxe, Macedo então disse: "Rapaz, hoje só estamos eu e meu filho, mas podemos lhe ajudar". Macedo nessa época já tinha 58 anos e não poderia comparar-se a um atleta, e Breno era apenas um garoto de apenas 16 anos com poucas lutas nas categorias de base.
O treino poderia ser proveitoso, pois quando se está disposto a aprender, a diferença de peso e idade são superadas pelos movimentos técnicos, e assim todos iriam tirar proveito do treino.
Entretanto, no aquecimento Macedo percebeu que a intenção dos visitantes era outra, então chamou Breno e disse: " Se prepara. Esse cara vai entrar pra rachar. Vou cansar ele e depois você entra."
Dito e feito. Ao começar a movimentação o jovem atleta foi impetuoso, não vendo que do outro lado tinha um senhor de quase 60 anos. Mas o que ele não esperava era que esse "tiozinho" tivesse tamanha malandragem e vivência de ringue.
Macedo clinchava o seu adversário e o obrigava a fazer o máximo de força possível, bloqueava os fortes golpes de seu adversário e não demostrava se abalar, golpeava e agarrava quando tinha oportunidade, fazendo o anti-jogo por dois rounds.
Quando Breno entrou, a fúria do atleta continuava a mesma. Breno, mesmo sendo apenas um garoto e muito mais fraco que seu adversário, conseguiu desenvolver o seu jogo técnico, aplicando golpes e saindo da linha de ação de seu adversário sem se expor, apesar da vontade um tanto quanto selvagem do atleta. Estavam previstos mais três rounds, mas o lutador visitante pediu para parar no segundo round com Breno, preocupado com um considerável sangramento nasal.
Assim que seu atleta desceu do ringue, o técnico veio em direção de Marcos para se desculpar, pois não queria que o treino fosse daquela maneira e que realmente eles tinham vindo no intuito de trocar experiências.
Então Marcos disse, "Vocês vieram para bater em um velho e um garoto mas não conseguiram. O treino acabou para vocês."
O técnico então sem saber o que dizer, pegou suas coisas e foi embora.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Técnica da Equipe Olímpica dos Estados Unidos vem à Rio Claro

Christy Halbert

A técnica de Boxe do time feminino dos Estados Unidos, Christy Halbert, chega no Brasil nesta segunda-feira, dia 12, e tem como destino Rio Claro. A renomada técnica vem ao Brasil acompanhada de duas atletas para participar do Jogos Abertos do Interior, que acontecem a partir do dia 17 na cidade de Bauru.
Graduada em Sociologia, Christy esteve presente no Jogos Olímpicos de Londres à frente da equipe norte-americana, foi convidada pelo professor Marcos Macedo para vir ao Brasil. Macedo já havia realizado este intercâmbio em 2006, quando a técnica veio ao Brasil com duas de suas atletas, também para disputar o Jogos Abertos. Este ano, Halbert estará acompanhada de Christina Cruz e Mikaela Meyer, atletas da equipe olímpica dos Estados Unidos. Ambas atletas conquistaram medalha de bronze no último mundial realizado na China, e só não foram apra as Olimpíadas porque são de categorias que não participam dos Jogos Olímpicos. Atualmente, as mulheres apenas disputam as categorias 51 kg, 60 kg e 75 kg. Cruz é da categoria 54 kg e Meyer da 64 kg.
"Eu conheci a Christy em um Panamericano que participei como técnico na Argentina em 2005. Naquele momento surgiu o interesse dela em trazer suas atletas para disputar campeonatos no Brasil, e o Jogos Abertos é hoje um dos torneios de maior nome". Como só pode ser inscrito um atleta estrangeiro por equipe, apenas uma das atletas representará Rio Claro, mas o mais importante para o técnico rioclarense é a troca de conhecimento. "Elas ficarão quase tres semanas conosco, então poderemos absorver muito delas, tanto os técnicos de Ro Claro com os atletas.
A treinadora realizará na terça-feira uma palestra na UNESP onde discorrerá sobre o esporte feminino nos Estados Unidos, a inclusão do Boxe Feminino nos Jogos Olímpicos e o crescimento da modalidade no mundo.  A palestra é aberta ao público e ocorrerá no anfieteatro 2, em frente à biblioteca, às 9 horas da terça-feira. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Rio Claro participa de filme sobre Olimpíadas


                Buscando aumentar o contato que o espectador brasileiro tem com a historia do esporte Olímpico, a Petrobrás juntamente com a ESPN Brasil lançou o projeto “Memória do Esporte Olímpico Brasileiro”, que visa aumentar a produção de documentários sobre atletas brasileiros que participaram de Jogos Olímpicos.
                O projeto, lançado em 2011, teve a inscrição de 99 projetos,  mas apenas 9 foram escolhidos para tornarem-se documentários de 26 minutos que visam realizar o resgate histórico do esporte nacional. Dentre os projetos contemplados, está “A luta continua – um documentário em 12 rounds”, que retrata a história do boxeador Servílio de Oliveira.
                Servílio é o único medalhista olímpico brasileiro no Boxe, tendo conquistado o Bronze em 1968, na cidade do México. Nem Popó, nem Maguila nem Eder Jofre conseguiram igualar o feito deste paulista que tem hoje 64 anos. Sua história de vida foi retrada no documentário dirigido por Renata Sette, produção que teve a participação de 5 rioclarenses.
                Breno Macedo foi auxiliar da produção, sendo o responsável pela escolha do elenco que representou combates históricos de Servílio. Por trabalhar no meio do Boxe há muito tempo, Breno indicou boxeadores para representarem no documentário e assessorou durante as filmagens dos combates. Entre os boxeadores, Yuri Previatti, rioclarense que hoje defende a S.E Palmeiras, foi escolhido para representar Tony Moreno, pugilista norte-americano que enfrentou Servílio em 1971 no trágico combate em que o brasileiro sofreu um descolamento de retina e teve que se aposentar do Boxe.
                Leoanrdo Macedo, coordenador da equipe de Rio Claro, representou o mitológico técnico Antonio Carollo, que acompanhou Servílio no Jogos Olímpicos de 1968. Marcos Macedo atuou como técnico norte-americano, usando sua experiência para deixar a produção mais próxima do real. O quinto rioclarense a participar da produção foi Rafael Bombonatti, de 11 anos, que fez a cena final do filme onde Servílio de Oliveira passa seus ensinamentos para o jovem boxeador.
Leonardo, Rafael, Renata Sette, Servílio e Breno
                Na noite de hoje acontecerá o evento de lançamento dos nove documentários e um longa metragem do projeto em São Paulo. O evento ocorrerá na Cinemateca e contará com a presença de grandes  figuras do esporte olímpico e do cinema brasileiro, como Ugo Giorgetti e Laís Bodanzky, além dos rioclarenses que participaram do projeto.  O “Memória do Esporte Olímpico brasileiro” é uma parceria entre o Instituto de Políticas Relacionais, a Petrobrás, ESPN Brasil, Cinemateca brasileira e Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Os filmes, que estão em negociação para serem transmitidos por um canal de TV aberta, serão exibidos pela ESPN Brasil durante o mês de julho.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Matéria com Marcos Macedo na rádio Jovem Pan - Rio Claro

Coordenador da equipe de boxe de RC comenta a temporada

Por Matheus Pezzotti - Jornal Cidade

Na última terça-feira (3), o coordenador da equipe MM Boxe/SEME/CTP Gama, Marcos Macedo, participou do programa Jornal de Esportes, da Rádio Excelsior Jovem Pan Sat, para comentar a temporada da modalidade, além dos destaques revelados nas categorias de base.

"Foi um ano muito bom. Acredito que demos um largo passo tanto no projeto social, como no trabalho que fazemos em preparação para os Jogos Abertos e também na formação de atletas", resume.

Macedo salienta que o sucesso do trabalho deve-se também à atuação da Secretaria Municipal de Esportes, através do secretário Reginaldo Breda.

"Aliado ao trabalho do secretário de Esportes de Rio Claro, que tem a sensibilidade e o conhecimento do que é o esporte, conseguimos resultados importantes na temporada".

Destaque para a conquista da medalha de ouro pela equipe masculina nos Jogos Abertos, para o terceiro lugar no Grand Prix de Boxe Olímpico, para a inédita medalha de prata em competições nacionais na categoria adulta no Campeonato Brasileiro, conquistada pelo meio-médio-ligeiro "Kid" Caíque Silvano, a medalha de bronze de Valdeir de Campos na categoria Cadete, e o bicampeonato brasileiro de Jhonatan Conceição.

O trabalho realizado na cidade também incorpora o âmbito social. "Nosso principal objetivo é a integração do atleta na sociedade através do esporte. Em segundo plano ficam as competições", afirma o coordenador.

Em dezembro, a Sociedade Esportiva Palmeiras realizou uma peneira e, após duas semanas de testes, os atletas rio-clarenses Jhonatan Conceição e Yuri Previatti, vice-campeão Brasileiro Juvenil, garantiram vaga na equipe.

“Apostamos muito nesses atletas e na categoria de base. Com o trabalho realizado na cidade, Rio Claro já produz valores com grande potencial futuro”, finaliza.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Rioclarenses embarcam para o Brasileiro em Aracajú


O campeonato Brasileiro de Boxe Juvenil, que começa na quarta-feira dia 06 de julho e vai até o dia 13 em Aracajú, Sergipe, contará com a participação de três rio-clarenses que embarcam hoje para a capital nordestina. Três membros da equipe MM Boxe/CTP Gama foram convocados pela Federação de Boxe do Estado de São Paulo apara representar o estado na competição nacional.

O peso mosca (52 kg) Yuri Previatti foi escalado para representar São Paulo devido ao seu ótimo desempenho na última e na atual temporada. Yuri sagrou-se campeão da Forja de Campeões em abril e em Junho venceu a seletiva estadual para o Campeonato Brasileiro.

Além de Yuri, o técnico Leonardo Macedo e o coordenador Marcos Macedo foram convocados para compor a seleção paulista. Leonardo será um dos técnicos do time e Marcos o chefe da delegação bandeirante em Aracajú. O estado de São Paulo é a maior potência do boxe nas categorias de Base, sagrando-se campeão nas últimas competições envolvendo cadetes (15 e 16 anos) e juvenis (17 e 18 anos). Desde 2008, o time paulista sempre conta com ao menos um representante de Rio Claro em sua composição.

Segundo os técnicos da equipe, a expectativa para o desempenho de Previatti é uma das melhores possíveis. “O Yuri está em uma crescente muito boa, com muitas lutas este ano entre os adultos. Entre os juvenis ele deve se sobressair. Além disso, estamos fazendo uma preparação física excelente junto ao CTP Gama que o deixa 100% no momento da luta”, analisa Leonardo Macedo. O jovem pugilista foi Bronze no Brasileiro cadete do ano passado e agora tentará o ouro entre os juvenis.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Entrevista com Marcos Macedo - Café JC


MARCOS MACEDO, TÉCNICO DE BOXE E COORDENADOR DO PROJETO ESPORTIVO COM INCLUSÃO SOCIAL, FALA SOBRE O ESPORTE E SEU TRABALHO

Marcelo Lapola


Dia 18 de novembro de 1960. Numa luta memorável, Éder Jofre nocauteava o mexicano Eloy Sanchez no 6° assalto e conquistava o título mundial da categoria peso-galo. Muitos ouviram a luta pelo rádio. Enquanto o galinho de ouro, nosso herói mais genuíno, ia ganhando vantagem sobre o mexicano, para delírio da plateia em Los Angeles, aqui no Brasil, mais precisamente na cidade de Pinhal, crescia a certeza um garoto de cerca de 15 anos. O cinturão de ouro ficara ao alcance da poderosa mão direita meses antes, quando Éder venceu Joe Medel numa luta incluída em todas as listas das 10 mais espetaculares de todos os tempos. Já nessa luta, o então estudante do curso técnico agrícola Marcos Macedo já havia percebido que o boxe o havia chamado. “Não é a gente que escolhe o boxe. É ele que nos escolhe”, explica. Hoje técnico do esporte em Rio Claro e coordenador do projeto Boxe com inclusão social faz o flashback para tentar responder a primeira pergunta feita pelos jornalistas Marcelo Lapola e Rodrigo Salles, no Café JC: por quê o boxe? “Há cerca de 52 anos houve algumas situações em minha vida que me levaram de vez para o boxe. Saí de SP e fui para o interior. Descobri de verdade essa minha profissão em Pinhal, na escola agrícola. Essa coisa do Éder Jofre disputar o mundial foi mágica pera mim. Lá em São Paulo a gente via as lutas dele, meu pai adorava. Aquilo teve um significado forte para mim. Sem contar que em Pinhal o trote era meio violento. Quando cheguei lá e o pessoal ficou sabendo que eu praticava boxe, logo de cara comecei a ser respeitado. Os veteranos me olhavam de outra forma”, relembra Macedo. Outros colegas de escola agrícola também se interessaram e um pequeno grupo se formou para treinarem. “Eles me davam o dinheiro e, quando ia para São Paulo, comprava as luvas e trazia. Também nessa época comecei com o judô, karatê e um pouco de capoeira. Hoje olho para trás e percebo que um dos motivos era a defesa pessoal. O esporte me deu essa respeitabilidade”, conta.


CENTRO OLÍMPICO

Anos mais tarde, Macedo já de volta para São Paulo, cursou Educação Física na Universidade de São Paulo (USP). Nessa época, conta, o boxe havia ficado um pouco de lado. “Mas aí apareceu o Luis Carlos Fabri que na própria USP abriu o curso de boxe. Desde essa época percebi que eu era muito bom para treinar, com boa coordenação motora, sem muita propensão à competições. Mas nunca imaginava que ia trabalhar com Boxe profissionalmente”, diz. Depois de formado e casado, Macedo, já aprovado em um concurso público para dar aulas de Educação Física na Zona Leste paulistana, foi convidado por Fabri a auxiliá-lo no Centro Olímpico da capital. “Aí comecei trabalhando com crianças na faixa de pré-adolescência. O tempo passou, o Fabri acabou saindo, e eu fiquei por 14 anos lá”, relembra.


INCLUSÃO

Hoje, Macedo e seus filhos Breno e Leonardo são responsáveis pelos treinamentos de cerca de 30 alunos do projeto de inclusão social pelo boxe e outros 60 na academia que funciona em um dos antigos armazéns da ferrovia. Casado com uma rio-clarense, Macedo veio em definitivo para Rio Claro há sete anos. “Na época, São Paulo já estava muito complicado. Minha esposa já estava aqui trabahando. Ei vinha aos finais de semana. Após uma conversa que tive com o Aldo Demarchi, houve a possibilidade de eu mudar em definitivo para Rio Claro. Nunca pensei que meus filhos fossem também lutar boxe. Coloquei primeiro eles para fazer judô. Senti que iam forçados. Minha filha se destacava mais. Iamos juntos até. Aí veio o Jiu Jitsu. Fomos para a Academia Pessoa treinar com o Homero, a Simone, excelentes professores. Já nessa época eu levava a manopla, e fazíamos um treininho ali. Foi aí que o Homero teve a ideia de abrir turma para boxe. Foi uns seis meses mais ou menos”, relembra. Por conta dos treinos que passou a comandar para uma das guardas municipais, Nazaré Britto, Macedo conta que conheceu o então secretário de segurança Marco Antônio Queiroz. Abriu-se então a possibilidade de fazer ali nos armazéns da ferrovia. Começamos a fazer esse trabalho lá com a Nazaré. Aí a coisa foi se ampliando. Pensei em deixar Breno e o Leonardo durante a semana. Teve um certo impasse, mas acabou dando muito certo. Aí a procurar aumentou. Comecei a trazer meu material e a cobrar para as pessoas praticarem. E abri o projeto social como contrapartida, com a opção de gratuidade para servidores, guardas municipais e pessoas mais carentes”, explica. No ano passado a única medalha de ouro para Rio Claro nos Jogos Abertos foi a do Boxe, com Breno Macedo.


EMOCIONAL

Um dos trabalhos mais delicados quando se treina boxe, segundo Macedo, é cuidar também do emocional do atleta. “É delicado, há uma fronteira tênue em muitos que impede que a pessoa leve a luta para fora do ringue. Então o trabalho é de reforçar para que isso não ocorra. E minha tática é muito simples. Olho para trás e tento pegar alguns exemplos e dificuldades da vida pelos quais passei. Em alguns casos é preciso sim ser um pouco pai”, revela Macedo. Entre os muitos talentos já revelados em Rio Claro, ele cita o jovem Jhonatan Conceição, de apenas 15 anos, hoje integrante da Seleção Brasileira de Boxe, após ter participado de seletiva nacional em São José dos Campos. “Ele começou a trabalhar com a gente com 11 anos. De início vi que ele era diferenciado. Lembro que nessa época eu torcia para que não parasse. Fui lá na escola dele falar com a diretora. Cheguei para ela e perguntei se ele é um bom aluno. Ela balançou a cabeça e me disse ‘o Jhonatan não é bom aluno, ele é o melhor’. Isso foi uma alegria imensa para mim”, conta Macedo diz que um dos técnicos da seleção brasileira de boxe disse que nunca havia visto um atleta olhar e prestar tanta atenção no que se diz e cumprir exatamente todas as instruções que se dá no corner.


DIRIGENTES

No universo do boxe no Brasil, segundo Macedo, o amadorismo dos dirigentes é o principal problema. “Tudo começa no despreparo do dirigente. A Confederação de Boxe mesmo, não tem um projeto concreto para 2016. Trouxeram alguns técnicos cubanos que são meros figurantes. Isso, na hora das competições, traz problemas. Temos bons técnicos aqui, mas somos desprestigiados”, critica. Macedo apesenta uma alternativa de solução para o problema. “O que tem que fazer? Pega um campeonato nacional e seleciona os melhores técnicos. Manda eles para Cuba e cobra uma padronização do trabalho para espalhar para todo o Brasil. É simples”, ressalta. Hoje Macedo conta com o apoio da Secretaria Municipal de Esportes para alguns de seus atletas e também do CTP Gama. “Fico contente de ver que tem mais gente que acredita nesse nosso trabalho. E o boxe tem um forte poder de inclusão social. Isso acontece no mundo todo”, conclui.