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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Técnica da Equipe Olímpica dos Estados Unidos vem à Rio Claro

Christy Halbert

A técnica de Boxe do time feminino dos Estados Unidos, Christy Halbert, chega no Brasil nesta segunda-feira, dia 12, e tem como destino Rio Claro. A renomada técnica vem ao Brasil acompanhada de duas atletas para participar do Jogos Abertos do Interior, que acontecem a partir do dia 17 na cidade de Bauru.
Graduada em Sociologia, Christy esteve presente no Jogos Olímpicos de Londres à frente da equipe norte-americana, foi convidada pelo professor Marcos Macedo para vir ao Brasil. Macedo já havia realizado este intercâmbio em 2006, quando a técnica veio ao Brasil com duas de suas atletas, também para disputar o Jogos Abertos. Este ano, Halbert estará acompanhada de Christina Cruz e Mikaela Meyer, atletas da equipe olímpica dos Estados Unidos. Ambas atletas conquistaram medalha de bronze no último mundial realizado na China, e só não foram apra as Olimpíadas porque são de categorias que não participam dos Jogos Olímpicos. Atualmente, as mulheres apenas disputam as categorias 51 kg, 60 kg e 75 kg. Cruz é da categoria 54 kg e Meyer da 64 kg.
"Eu conheci a Christy em um Panamericano que participei como técnico na Argentina em 2005. Naquele momento surgiu o interesse dela em trazer suas atletas para disputar campeonatos no Brasil, e o Jogos Abertos é hoje um dos torneios de maior nome". Como só pode ser inscrito um atleta estrangeiro por equipe, apenas uma das atletas representará Rio Claro, mas o mais importante para o técnico rioclarense é a troca de conhecimento. "Elas ficarão quase tres semanas conosco, então poderemos absorver muito delas, tanto os técnicos de Ro Claro com os atletas.
A treinadora realizará na terça-feira uma palestra na UNESP onde discorrerá sobre o esporte feminino nos Estados Unidos, a inclusão do Boxe Feminino nos Jogos Olímpicos e o crescimento da modalidade no mundo.  A palestra é aberta ao público e ocorrerá no anfieteatro 2, em frente à biblioteca, às 9 horas da terça-feira. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A medalha de Esquiva

Ontem Esquiva Falcão chegou ao Brasil, com a medalha de prata das Olimpíadas na bagagem. O pugilista capixaba alcançou o posto de melhor boxeador olímpico brasileiro de todos os tempos, o primeiro (e até agora único) pugilista a chegar numa final Olímpica.
Nascido no Espírito Santo, Esquiva vem de uma família de lutadores, e foi seu pai, o lendário Touro Moreno, quem o introduziu no Boxe. Se foi o pai biológico quem lhe apresentou o esporte, foram os pais do Boxe quem o ensinaram a arte de lutar: o carioca Raff Giglio e a família Oliveira: Gabriel, Pitú e Servílio.

Dos sete boxeadores homens que compuzeram a equipe Olímpica em Londres, Esquiva era um dos poucos que estavam eu sua primeira edição de Jogos Olímpicos, assim como seu irmão Yamaguchi e o peso mosca Julião.
Com 22 anos, Esquiva era um dos mais inexperientes do time, já que não participara de campeonatos mundiais de categorias de base (como Yamaguchi e Everton), não havia lutado mundiais antes de 2011 (como Robson, Myke), e estava em sua primeira Olímpíada.
Em janeiro de 2009, na casa dos ateltas da seleção em Santo André, Esquiva me contou: "O dia em que eu for para uma olímpíada eu trago medalha de qualquer jeito. Nem se precisar dar um pombo pra nocautear, mas eu trago medalha". Nesse dia Esquiva tinha 19 anos, tinha acabado de chegar na seleção Brasileira, era reserva na categoria até 69 kg, mas já tinha seu objetivo traçado.

A medalha olímpica de Esquiva começou a despontar ainda em 2011, na sua brilhante campanha no campeonato mundial de Baku, Azerbaijão. Em sua primeira grande competição de proporções planetárias, Esquiva acumulou vitórias sobre Senegal, Austrália, Inglaterra e Kazaquistão, para ser superado na semi-final pelo Japão e ficar com o histórico Bronze da categoria até 75 kg. Como o brasileiro foi um dos 4 melhores do planeta, nos Jogos Olímpicos ficou como cabeça-de-chave e foi favorecido no sorteio, ficando de bye na primeira rodada.

Já em Londres, sua primeira luta foi uma das quais mais trouxe preocupação, já que enfrentou Soltan Migitinov, do Azerbaijão, país com tradição no Boxe. Entretanto, no primeiro minuto de luta já deu para perceber que Esquiva veio com fome de medalha.  24 a 11 para o Brasil. Seu segundo combate já valia medalha de bronze, e enfrentou Zoltan Harcsa, da Hungria. Esquiva venceu por 14 a 10, classificou-se para a semi-final e garantiu sua medalha olímpica, igualando-se a Servílio de Oliveira em 1968. Mas o bronze ainda não era o suficiente para Falcão.
Na semi-final, Esquiva enfrentou Anthony Ogogo, pugilista britânico a quem venceu no Mundial de 2011. Ogogo havia dado declarações que estava próximo de sua redenção, que superaria seu algoz perante o público de 7 mil britânicos que estavam na Excel Arena, em Londres, e faria sua vingança. Mas os planos de Ogogo esbarraram na técnica, velocidade e inteligência de Esquiva. Após um primeiro round tenso, com empate em 3 a 3, a luta manteve-se equilibrada até a metadel do segundo round. A menos de 30 segundos para o fim do segundo assalto Esquiva decidiu atacar e com uma sequência perfeita de golpes abriu vantagem de de 3 pontos, iniciando o último tempo vencendo por 9 a 6.
Ogogo sabia que tinha que virar a luta, e por isso veio pra cima de Esquiva assim que bateu o gongo. Mas um lindo direto de encontro do brasileiro mandou o inglês de bunda na lona do ringue olímpico, fato raro de ser visto em uma semi-final Olímpica. Neste momento, Ogogo já estava derrotado moralmente. Esquiva continuou pressioando, abriu mais uma contagem e esteve perto de vencer a luta por RSC (Referee Stop Combat), o antigo Nocaute técnico.  16 a 9 como resultado final da luta, fora o baile de Esquiva. Com certeza, esta foi a melhor luta de um brasleiro nestes Jogos Olímpicos e, junto com a vitória de Yamaguchi sobre Cuba, a que mais fez o torcedor brasileiro vibrar!
                Com esta vitória Esquiva ganhou ainda mais moral para a final, que aconteceu no dia seguinte, sem descanso para o Brasileiro. Pela frente ele teria Ryota Murata, do Japão, que o vencera no Mundial de Baku. Esquiva declarou antes da luta que já tinha a tática certa para vencer o japonês retranqueiro. No primeiro round Esquiva decidiu lutar como seu rival: na curta distância, bloqueando bastante e contragolpeando. Porém, Murata conseguiu encaixar golpes mais claros, como seus cruzados de direita, e venceu o round por 5 a 3. A partir do segundo round Esquiva começou a boxear, bater e andar, como o todos que admiram o” Boxe-ciência” gostam. Venceu o round por um ponto de diferença e entrou para o último round atrás um ponto no placar: 9 a 8 para o Japão. A luta estava truncada, com ambos boxeadores se agarrando e cometendo faltas, muito tensa. O juiz polonês que mediava o combate decidiu punir Esquiva pelos clinchs no começo do último round, ignorando que Murata também cometia esta falta, além de bater na nuca e ter soltado alguns golpes abaixo da linha da cintura. Se Esquiva estava um ponto atrás no placar, agora estaria três. O brasileiro continuou a procurar mais o combate, evitando a curta distância e os golpes de curvos de Murata. Ao final do round, a certeza de que Esquiva fora superior, mas a dúvida se sua superioridada fora suficiente para virar o placar da luta.
                O medo era de que a falta apontada para Esquiva desse a vitória para o japonês, já que apesar de ter se mantido melhor no ultimo round, com a falta Esquiva ficou 3 pontos atrás no placar. E no resultado oficial, confirmou-se o que todos temiam: Esquiva perdeu por 13 a 14, por apenas um ponto, aquele ponto que o juiz decidiu tirar apenas do brasileiro e  deixou o japonês impune. Por um mínimo detalhe, um mínimo deslize, a medalha de ouro não veio para o Brasil.
                Se nas outras edições de Jogos Olímpicos a medalha batia na trave, desta vez o que bateu na trave foi o Ouro, que por quase um acaso do destino não veio para o Brasil. A prata ao invés do ouro pode ser interpretado como um aviso: "Calma, o Boxe no Brasil está evoluindo, foram 3 medalhas nesta Olímpíadas, mas ainda não é hora do ouro".
               A medalha de Esquiva colocou o Boxe do Brasil no lugar que ele deveria estar já faz tempo. Esquiva levou consigo no pódio olímpico centenas de boxeadores taltentosos que o país produziu mas que não tiveram a mesma sorte, subiram junto com Esquiva gerações inteiras de boxeadores e treinadores que aguardaram por quatro décadas a quebra deste tabu. Junto com Esquiva subiram Servílio de Oliveira, Newton Campos, Eder Jofre, Acelino Freitas, Miguel de Oliveira,  todo boxeador que um dia já pleiteiou uma medalha olímpica, cada lutador que não teve esta chance, todos treinadores que um dia já sonharam com a medalha olímpica, os que ainda estão conosco, os que já se foram, os que ainda estão por vir, eu, você .
Se Servílio de Oliveira se emocionou ao ver seu récorde quebrado, Antonio Carollo abençoou de algum lugar o jovem de origem humilde alcançar uma medalha olímpica, assim com fez seu pupilo em 1968. 

Esta medalha entra para a História do Boxe nacional.
Que esta medalha abra os caminhos para o Boxe nacional.

Breno Macedo

sábado, 11 de agosto de 2012

Yamaguchi quebra o jejum e conquista o Bronze Olímpico.


Hoje o meio-pesado Yamaguchi Falcão encerrou sua participação nas Olimpíadas de Londres, conquistando a histórica medalha de Bronze.
Foram 44 anos de espera até que Yamaguchi, juntamente com seu irmão Esquiva e Adriana Araújo, quebrassem este tabu.
E a medalha de Yamaguchi tem um gosto especial dada as condições que vieram... Com lutas equilibradíssimas contra Índia (15 a 14) e contra a China (desempate depois de 17 a 17), Guchi chegou às quartas-de-finais como o 'zebra'. Pela frente teria o atual campeão mundial Julio La Cruz, favoritíssimo ao título da categoria.
Muitos pensaram que uma boa luta contra o cubano e uma derrota por pontos já estaria de bom tamanho para o pugilista capixaba. Mas não. O filho de Touro Moreno queria mais.
Em uma luta que demonstrou toda sua evolução técnica e tática , moldado nos ringues do Brasil (inclusive no Baby Barioni, onde sempre foi uma sensação) e do mundo (em longos intercâmbios que o atleta passou longe de casa), Yamaguchi fez a luta da sua vida.
Surpreendeu a todos, talvez até à ele mesmo, e venceu o gigante cubano por 18 a 15.
Yamaguchi nos vingou. Cuba nos fez sentir o amargo gosto da derrota em inúmeras oportunidades em Jogos Olímpicos, desde Chiquinho de Jesus, em 1980, e Edvaldo Badola, em 2000, até Everton Lopes, nosso campeão mundial que ficou sem a medalha olímpica em 2012 ao ser eliminado por um cubano. Desta vez foi Cuba que sentiu o tristeza de ficar de fora do pódio olímpico.

Com a vitória, Yamaguchi igualou-se ao lendário Servílio de Oliveira, Bronze em 1968. Na luta da semi-final, Yamaguchi enfrentou um duríssimo Russo, e foi superado por pontos. Mas esta derrota não ofusca nem um pouco o brilho de sua medalha.

Yamaguchi Falcão se tornou o primeiro boxeador brasileiro a fazer quatro lutas em uma mesmo Olimpíada, vencendo três combates. 

Mais do que isso: Guchi foi o primeiro e único brasileiro a superar um cubano em Jogos Olímpicos. Se um dia Cuba foi uma referência para o Brasil, hoje Yamaguchi mostrou que estamos no mesmo patamar. Ou pelo menos quase lá.

Yamaguchi Falcão, fica aqui o agradecimento de todos que vivem o Boxe Brasileiro, de todos que acompanharam sua trajetória, ou dos que apenas vivenciaram sua participação olímpica, mas que vibraram, torceram e se emocionaram com suas vitórias.
Nosso muito Obrigado.

Breno Macedo

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Em solo inglês, Jhonatan treina com número 1 do ranking

Jhonatan em uma sessão de treinamento do time brasileiro
Treinando na Inglaterra desde o dia 13 deste mês, mais precisamente em Sheffield, cidade a 230 quilometros de Londres, o rioclarense Jhonatan Conceição está tendo a oportunidade de treinar com os melhores atletas do planeta.
Juntamente com a seleção brasileira, o time olímpico da Grã Bretanha faz sua preparação no centro de treinamento de Sheffield. Compondo o time britânico está Thomas Lee Stalker, pugilista número 1 do ranking mundial na categoria até 64 kg, mesmo peso de Jhonatan.
Thomas Lee Stalker, boxeador britânico
Nesta categoria também está Everton Lopes, brasileiro que sagrou-se campeão mundial em 2011. Everton ocupa a terceira colocação no ranking, atrás do britânico e do atleta da Mongólia.
Stalker, que é um dos favoritos à medalha em sua categoria, é campeão Britânico e vice-campeão Europeu. No mundial de 2011, foi medalhista de bronze, superando atletas de países fortíssimos no Boxe Olímpico como Rússia e Índia.
Treinar com um atleta deste nível está sendo uma experiência muito engrandecedora para Jhonatan, que está  aproveitando ao máximo a oportunidade de boxear com número 1 do Mundo: " Ele é muito experiente, então usa muitas 'manhas' que eu ainda estou aprendendo", disse o rioclarense.

Mas o que realmente surpreendeu Jhonatan foi a humildade e o companheirismo do inglês: "Quando estávamos treinando juntos e eu cometia um erro, na hora ele parava e me corrigia, mostrava a melhor forma de agir naquela situação. Ele poderia tirar vantagem dos meus erros e me acertar, mas não, preferiu me corrigir." 
A equipe de apoio do Brasil deixará Londres ainda esta semana, enquanto os atletas olímpicos iniciam a briga pela medalha  no dia 28 de julho.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Jhonatan Conceição vai à Londres


               A cidade de Rio Claro já pode se orgulhar de ter mais um filho presente nos Jogos Olímpicos de Londres. Trata-se de Jhonatan Conceição, pugilista rio-clarense que já está na sede olímpica com a delegação brasileira. A delegação Brasileira viajou nesta quinta-feira, dia 12. Jhonatan, de 17 anos, não participará das competições, já que sua participação atende dois objetivos distintos.
O primeiro fator é colaborar com o treinamento dos boxeadores que defenderão o Brasil na briga por uma medalha olímpica. Este ano houve um recorde de classificados, serão sete homens e três mulheres, totalizando dez atletas que tentarão quebrar o jejum de medalhas que já dura 44 anos, já que a única medalha olímpica conquistada por um brasileiro foi o Bronze de Servílio de Oliveira em 1968.
                O segundo motivo que levou o rioclarense à Londres é para que ele possa adquirir uma experiência olímpica, já que é uma das principais promessas para 2016. Jhonatan é tido como um boxeador com grandes chances de defender o Brasil nos Jogos Olímpicos que serão realizados no Rio de Janeiro. Desta forma, a experiência de acompanhar a delegação olímpica será engrandecedora na carreira do pugilista. A equipe de apoio retorna ao Brasil no dia 25 deste mês, quando se iniciarem as competições de Boxe em Londres. 
            Nascido no Jardim Guanabara, Jhonatan começou a praticar Boxe no projeto de inclusão Social realizado na Associação de Moradores de seu bairro. O professor Marcos Macedo logo percebeu o talento de Jhonata, então com 12 anos, e o levou para a academia MM Boxe da Secretaria Municipal de Esportes. Em pouco tempo vieram as primeiras conquistas, como o título paulista infantil em 2007. Dali pra frente, Conceição acumulou títulos nacionais e internacionais na categoria de base, até ser convocado pela Seleção Brasileira no início de 2012 e contratado pelo Palmeiras no mesmo período.
A ida de Jhonatan à Londres coroa  trabalho realizado pela família Macedo na cidade, mas os treinadores da equipe de Rio Claro não se dão por satisfeitos: “Nosso objetivo é formar um campeão olímpico, e sabemos que a viagem de Jhonatan serve de escada para alcançarmos este objetivo maior. Estamos no caminho certo” declarou Marcos Macedo.